Graça Salvadora
Na revelação contida na Palavra de Deus, a graça
manifesta-se como expressão do amor divino que sustenta e redime a existência
humana. Sob uma perspectiva teológica com matizes filosóficos, podemos
discernir ao menos duas dimensões dessa graça:
1 – A
Graça Comum: Refere-se à
ação benevolente de Deus que se estende a toda a humanidade, sem distinção. É a
graça que permeia a ordem da criação, sustentando a vida, concedendo dons,
limitando o mal e permitindo que, mesmo em condição de queda, o ser humano
experimente lampejos de verdade, justiça e beleza. Filosoficamente, pode ser
compreendida como a manifestação da bondade divina no âmbito da existência
universal, tornando possível a convivência, a moralidade e a busca pelo
sentido.
2 – A
Graça Salvadora: Diz
respeito à intervenção redentora de Deus na história e na interioridade do ser
humano. Não apenas orienta para o bem, mas opera a transformação da natureza
caída, conduzindo à santificação e culminando na justificação da alma. Essa
graça se realiza plenamente no sacrifício propiciatório de Jesus Cristo, por
meio do qual o homem é reconciliado com Deus. Em termos filosófico-teológicos,
trata-se da irrupção do transcendente no imanente, restaurando o ser humano à
sua finalidade última: a comunhão com o Criador.
Embora a palavra “Graça”, na Bíblia Sagrada, expresse que o pecador recebe a
salvação sem precisar pagar qualquer preço ou realizar sacrifícios humanos, não
se pode ignorar que essa salvação teve um custo: Jesus Cristo pagou a dívida do
pecado diante de Deus com o seu próprio sangue.
Efésio 2:8-9
08 - Pois vocês são salvos
pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus;
09 - não por obras, para que
ninguém se glorie.
Há
uma interpretação humana recorrente que afirma: “Nada do que é gratuito tem
valor”. No entanto, essa ideia revela mais sobre a percepção limitada do homem
do que sobre a realidade em si. Pois, ao observarmos com mais profundidade,
percebemos que tudo o que existe carrega um custo, ainda que invisível. Aquilo
que nos chega como dádiva, muitas vezes, foi precedido por um preço
silenciosamente pago por outro. Assim, o que parece gratuito não é isento de
valor, mas, antes, revela uma dívida quitada no anonimato, onde o sacrifício de
um sustenta o benefício de muitos.
Vejamos alguns exemplos presentes em nossa rotina que,
muitas vezes, passam despercebidos:
a) Bolsa de Educação –
Seja no ensino fundamental, médio ou superior, quando alguém é beneficiado por
uma bolsa, há sempre uma pessoa, instituição ou programa governamental que
assume os custos dessa formação.
b) Programas Sociais –
Diversas iniciativas públicas garantem acesso à alimentação, energia elétrica, gás de
cozinha e outros benefícios essenciais. Embora pareçam gratuitos para quem
recebe, há um sistema que sustenta essas despesas.
c) A Salvação Eterna –
No âmbito espiritual, temos o único mediador de uma nova e eterna Aliança:
Jesus Cristo, que ofereceu sua própria vida como sacrifício em favor dos
pecadores.
Esses
exemplos revelam uma verdade profunda: aquilo que, para alguns, se apresenta
como gratuito, na realidade foi custeado por outros.
Todavia, as realidades terrenas manifestam-se como
frágeis e inclinadas à corrupção, em razão da condição decaída do gênero humano
após o pecado original. Em contraste, há uma esfera superior e eterna, cuja
sustentação encontra-se em Jesus Cristo. Nela se revela o bem supremo e
incorruptível: o valor inestimável do seu próprio sangue, por meio do qual se
estabelece a redenção e a esperança que transcende o transitório.
1 Pedro 1:18-19
18 - Sabendo que não foi com
coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã
maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais,
19 - Mas com o precioso
sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado.
Os pecadores, obscurecidos pelo pecado, não compreendem o
verdadeiro valor da Graça Salvadora; antes, tendem a desprezá-la em todas as
suas dimensões, incorrendo, assim, em graves consequências no que diz respeito
à eternidade.
Se
conhecessem esse dom celestial, a graça que procede de Deus e se manifesta como
favor imerecido, certamente a humanidade experimentará uma realidade distinta, marcada pela paz, pelo gozo e pela
prosperidade integral, tanto no âmbito material quanto, sobretudo, no
espiritual.
Romanos 5:15
Mas não é assim o dom
gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito
mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo,
abundou sobre muitos.
A
forma como o mundo costuma agradecer as bênçãos recebidas de Deus beira a
utopia: fala-se em gratidão, mas, muitas vezes, trata-se apenas de um jogo de
interesses pelas dádivas alcançadas. A verdadeira gratidão se manifesta por
meio do reconhecimento sincero, do louvor e da adoração a Deus. No entanto,
grande parte das pessoas prefere direcionar essa devoção a figuras consideradas
intermediárias, às quais atribuem o papel de intercessores.
2 Timóteo 1:9
Que nos salvou, e chamou com uma santa
vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e
graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos.
A salvação é um evento espiritual que não envolve emoções
humanas, mas a
graça salvadora de Jesus. O problema é que as falsas religiões produzem um foco
de projeção emocional que envolve os que não tem Jesus Cristo como salvador.
Enfim, Deus ama toda a sua criação de forma incondicional
e deseja que todos cheguem ao pleno conhecimento da sua graça. Por isso, chama
os pecadores ao arrependimento, para que abandonem uma vida estéril no que diz
respeito ao seu Reino e passem a produzir frutos dignos de arrependimento.
Que o Senhor vos abençoe rica e abundantemente.
Pastor Robson Colaço de Lucena
MMA – Ministério Missão América
Consultoria Espiritual