Ninguém é de ninguém
“Ninguém é de ninguém; na vida, tudo passa.”
Essa máxima revela a impermanência de todas as coisas e a fragilidade dos
vínculos humanos. Inspira poetas e pensadores, mas também desperta um labirinto
de inquietações naqueles que insistem em possuir o que, por natureza, é livre.
No amor, a verdadeira sabedoria está em compreender que até os sentimentos mais
profundos pertencem ao tempo, e não à vontade.
Por vivermos em uma cultura
machista, fomos ensinados a acreditar que o amor é para sempre. Crescemos
sonhando com eternidades e promessas inquebráveis, mas quase nunca aprendemos a
lidar com o fim. Por isso, quando a ruptura chega, ela nos dilacera; não apenas
pela perda do outro, mas pela quebra da ilusão de que tudo duraria para sempre.
Dentro dessa conjuntura,
desenvolvemos padrões de comportamento nocivos, muitas vezes inconscientes, que
nos levam a negligenciar o vínculo afetivo. Esse distanciamento emocional cria
fissuras na relação, abrindo espaço para que o outro, ou o próprio individuo,
busque em terceiros a validação e o acolhimento que deixaram de ser nutridos.
No universo feminino, há uma
delicadeza própria das emoções. Muitas mulheres amam com intensidade, mas
também sentem profundamente quando deixam de ser compreendidas ou valorizadas.
O coração da mulher é movido por sensações e conexões emocionais; por isso,
quando alguém surge e desperta nelas o que estava adormecido, atenção, afeto,
escuta ou carinho, tudo pode mudar. Não por fraqueza, mas porque o amor, para
elas, é alimento da alma, e a alma busca naturalmente onde pode ser nutrida.
No âmbito emocional masculino, o
processo se manifesta de forma diferente. Desde a infância, o homem é
condicionado a conter sentimentos e a demonstrar força diante das adversidades.
Por isso, tende a buscar
O homem, em muitos casos, consegue suprir suas
necessidades emocionais e sexuais com diferentes parceiras de maneira mais
pragmática. Para muitas mulheres, no entanto, a experiência é mais complexa:
lidar emocionalmente com dois parceiros simultaneamente pode gerar conflitos
internos intensos. Isso não significa que elas não possam ter relações sexuais
com mais de um homem, mas manter vínculos afetivos profundos e equilibrados em
múltiplas relações pode ser desafiador, despertando dúvidas sobre seus próprios
sentimentos e sobre quem realmente amam.
Alguns homens, por falta de conhecimento emocional e
por se deixarem levar apenas pelo encanto físico da mulher, acreditam que
presentes ou gestos materiais garantem fidelidade completa. No entanto,
desconhecem que a lealdade feminina não está presa ao homem em si, mas ao que
ele representa emocionalmente, à forma como a faz sentir, à atenção e ao
cuidado que desperta em seu coração.
Em detrimento dos desejos masculinos, muitas mulheres
acabam deixando de perceber as necessidades emocionais e íntimas de seus
companheiros. São receptivas em diversos aspectos, especialmente na
sexualidade, mas quando se trata de explorar fantasias, desejos ocultos ou o
autoerotismo dos homens, muitas vezes permanecem alheias. Por vergonha ou medo
de expor vulnerabilidades, eles raramente falam sobre esses anseios, esperando
silenciosamente por experiências que despertem emoções profundas e conexão verdadeira.
E, enquanto o tempo passa, o que poderia ser momentos de intensidade e
cumplicidade se transforma em rotina, sem o encantamento que poderia nutrir o
vínculo entre ambos.
Dentro de uma conjugalidade, devemos dar à medida que
recebemos, acontecendo uma reciprocidade dentro da cumplicidade entre ambos.
O tema principal de toda feminista, e a questão das
preliminares no ato sexual; entretanto, essa responsabilidade não é somente
para os homens, embora eles tenham o dever de iniciar o ato.
Terapeutas frequentemente ouvem queixas de homens que
percebem que, em suas relações sexuais, o convite quase sempre parte
Contudo, não podemos deixar de notar que muitos homens
acabam colocando amizades, esportes, lazer e até a própria religiosidade à
frente do relacionamento. Enquanto isso, suas companheiras permanecem sufocadas
pelos desejos não atendidos, esperando por um parceiro que chega tarde demais,
transformando a intimidade em cinco minutos apressados. O sexo, que poderia ser
uma experiência de entrega, amor e fantasia compartilhada, muitas vezes se
reduz à rotina e à pressa, deixando de nutrir a conexão profunda que poderia
unir o casal.
É preciso refletir que a maioria dos conflitos,
infidelidades e divórcios não surge apenas da falta de caráter de um dos
parceiros, mas frequentemente da negligência e do abandono emocional dentro da
relação. Homens e mulheres compartilham a responsabilidade de cultivar o
vínculo, cuidar um do outro e nutrir a intimidade. Ignorar essa obrigação mútua
pode corroer, silenciosa e lentamente, até os laços mais fortes.
Pr. Robson Colaço de Lucena
Terapeuta/Sexologo
Clínica
da Alma
Projeto
Terapia no Amor
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